“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”. (Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA)
Os Estados Unidos anunciaram, nesta semana, a decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor na próxima semana, em 22 de julho, traz uma lista de exceções que resguarda itens importantes da nossa pauta de exportações, como carnes e suco de laranja.
A retaliação ocorre após a conclusão de uma investigação pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA. O inquérito apurava acusações de supostas práticas desleais de comércio, avaliando se fatores como o avanço do Pix, o desmatamento ilegal e as barreiras de acesso ao mercado americano de etanol no Brasil estariam prejudicando empresas norte-americanas.
Embora a taxação devesse basear-se estritamente em critérios técnicos, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disparou contra o presidente Lula. Rubio afirmou que Brasília não negociou de boa-fé, classificou as políticas econômicas do atual governo como prejudiciais para ambos os povos e, ao fim, conferiu às medidas um caráter abertamente punitivo à gestão petista.
Diante desse quadro, fica evidente que a defesa técnica elaborada pelo Itamaraty em favor das práticas brasileiras teve pouco ou nenhum peso. A ofensiva carrega um inegável viés político, agravado pelo fato de ocorrer em pleno ano eleitoral no Brasil e coincidir com as frequentes visitas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro à Casa Branca.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, apressou-se em se defender. A equipe alegou que as idas do senador a Washington tinham como objetivo justamente pedir a suspensão das tarifas e devolveu as críticas, acusando o governo brasileiro de incapacidade de manter um engajamento produtivo com os norte-americanos.

