“Se tem uma coisa que baliza a minha vida, chama-se responsabilidade fiscal”. (Lula, na sabatina do JN)
Faltam 37 dias para as eleições.
O eleitorado começa a ser ativado com o início da campanha e as primeiras aparições públicas dos candidatos. Sem grandes surpresas até aqui, a disputa segue em patamar altamente competitivo.
Nas últimas semanas, realizou-se o primeiro debate televisivo, na Band. Lula, Flávio e Zema não compareceram. A ausência de Lula atende a um cálculo pragmático: líder nas pesquisas e amplamente conhecido, o presidente seria o alvo exclusivo dos adversários e teria pouco a ganhar no confronto direto. Sem o petista no estúdio, a presença de Flávio também atrairia para si todo o fogo cruzado dos concorrentes de terceira via. O resultado foi um debate esvaziado de audiência e relevância política.
Nesta semana, tiveram início as tradicionais sabatinas com os presidenciáveis no Jornal Nacional. Na edição de ontem, Lula enfrentou uma entrevista bastante dura, passando boa parte do tempo na defensiva diante de temas espinhosos: as suspeitas em torno de seu filho Lulinha, o desgaste do senador Jaques Wagner e as denúncias no INSS. O presidente adotou a retórica clássica de que tudo deve ser apurado pelas autoridades e de que todos são inocentes até prova em contrário. No front econômico, pinçou dados favoráveis para sustentar o argumento de que a retomada do crescimento bastará para equilibrar as contas, esquivando-se de assumir compromissos claros de ajuste fiscal ou de admitir erros da gestão.
Embora o candidato petista permaneça na liderança, sua vantagem está longe de garantir tranquilidade. Os sucessivos escândalos e fragilidades de Flávio Bolsonaro parecem ter sido assimilados pelo eleitorado ao longo do tempo. O senador tem recuperado fôlego nos levantamentos de intenção de voto e, até o momento, nenhum novo elemento com potencial para inviabilizar definitivamente sua candidatura veio à tona.

