Carta Política #472

“Você não faz educação com discurso, você não faz saúde com discurso. Você não faz desenvolvimento com discurso, você faz com dinheiro”. (Lula, sobre política fiscal)

       Diante do tradicional favoritismo do candidato à reeleição nas pesquisas, agentes do mercado têm provocado o governo em busca de sinalizações sobre o rumo da política fiscal em um eventual quarto mandato de Lula.

       Informações de bastidores indicam que Dario Durigan foi escalado como o porta-voz econômico da campanha. A escolha obedece a uma lógica clara: sendo o atual ministro da Fazenda, sua nomeação tranquiliza os investidores e afasta a hipótese de que Sergio Gabrielli — que recentemente deu declarações hostis ao mercado — pudesse assumir esse papel.

       Durigan tem sinalizado aos investidores que há, sim, preocupação no Executivo com a trajetória das contas públicas. Afinal, Lula assumiu o governo com a dívida pública em 71% do PIB e deve encerrar este terceiro mandato entregando o indicador na casa dos 81%, além de um déficit nominal acima de 10%.

       Entre as alternativas cogitadas internamente, a equipe econômica avalia reduzir o limite de crescimento de despesas do arcabouço fiscal dos atuais 2,5% para um patamar entre 1,5% e 2,0%. Essa trava também limitaria os ganhos reais do salário mínimo, que funciona como o principal indexador de uma série de gastos obrigatórios do Orçamento.

       Longe de ser uma “bala de prata”, a medida sequer é tratada como parte oficial do programa de campanha, visto que enfrentaria rejeição imediata da maior parte da bancada do PT. Enquanto isso, ações estruturais e mais austeras, como uma nova Reforma da Previdência, não vêm recebendo qualquer tipo de aceno concreto por parte do Planalto.

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