“Se nós formos para as ruas e para as redes, a vitória pode, sim, de forma racional, ser construída no 1º turno”. (Edinho Silva, presidente do PT)
Há uma expectativa, ainda velada, de que Lula consiga liquidar a eleição presidencial já no primeiro turno. A cautela em não alardear essa possibilidade tem motivo: fracassar nessa meta após ventilá-la abertamente deixaria um sabor político bastante amargo.
Ademais, se em 2022 havia margem para capturar votos de outros candidatos em nome do “voto útil” — desidratando nomes como Ciro Gomes e Simone Tebet —, o mesmo não se pode dizer do cenário atual. Vale lembrar que, mesmo com aquela manobra, Lula não conseguiu encerrar a disputa na primeira etapa naquela ocasião.
Por fim, a rejeição ao presidente segue em patamares mais elevados do que em pleitos passados. O recorte das pesquisas aponta que a resistência a Lula é maior entre os mais jovens, enquanto seu ponto forte continua sendo o eleitorado mais idoso. Assim, a comparação direta entre as dinâmicas de 2026 e 2022 não lhe parece favorável.
Do lado da oposição, uma vitória antecipada seria ainda mais improvável, visto que a rejeição do candidato mais forte, Flávio Bolsonaro, também é expressiva. No entanto, ao contrário do campo governista, a direita apresenta múltiplas alternativas no tabuleiro, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. O eleitor que rejeita simultaneamente Lula e Bolsonaro tem um vasto cardápio à disposição, o que esvazia a necessidade de encampar um voto útil já na primeira fase.
Onde existe uma possibilidade real de vitória em primeiro turno é em São Paulo, na eleição para governador. Até agora, Tarcísio de Freitas saiu incólume dos desgastes que sua proximidade com a crise da família Bolsonaro poderia lhe causar. Com isso, ele consolida tanto o voto bolsonarista quanto o da centro-direita (que, inclusive, estava pronta para alçá-lo à Presidência há pouco tempo). A presença de um adversário polarizador como Fernando Haddad — fortemente associado a Lula e com recente passagem pelo governo federal — atua como o combustível ideal para que o eleitor antipetista se sinta motivado a ir às urnas e decidir a eleição rapidamente.

