“Vocês estão vendo a grande pancadaria em cima de mim dia sim, dia também. (…) Nunca reclamei de ser questionado de nada, mas o que está acontecendo agora é algo desproporcional porque estão vendo que eu sou uma ameaça ao sistema e aos interesses de muita gente que está no poder”. (Flávio Bolsonaro)
Mais uma semana se passou, e os apoios à candidatura de Flávio Bolsonaro seguem escassos. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a convidar Tereza Cristina para compor a chapa como vice. A senadora traria uma complementaridade estratégica: além de garantir o tempo de TV e a capilaridade do PP, ela tem excelente trânsito com o agronegócio, perfil moderado e ajudaria a dialogar com o eleitorado feminino — justamente um dos segmentos de maior resistência ao senador.
Tereza Cristina, no entanto, declinou do convite, alegando foco na disputa pela presidência do Senado no início do próximo ano. Como dois terços da Casa serão renovados nestas eleições — e a parlamentar ainda tem quatro anos de mandato garantidos, não precisando ir às urnas agora —, a atual base que sustenta Davi Alcolumbre poderá ser desafiada, abrindo espaço para a sua articulação.
Nos bastidores, contudo, a recusa é lida como um claro reflexo da vulnerabilidade eleitoral de Flávio. Nesta semana, o senador sofreu mais um revés ao ser revelado que seu escritório de advocacia emitiu três notas fiscais (duas delas posteriormente canceladas) para uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, figura central do escândalo do Banco Master. O episódio soma-se a desgastes recentes que vêm desidratando a campanha, como o embate público com sua madrasta, Michelle Bolsonaro, e a crise geopolítica envolvendo as tarifas norte-americanas.
Nesse contexto de crise de imagem, não surpreende que o PL continue isolado nacionalmente. Até o momento, legendas de peso do Centro e da Direita — como PP, Republicanos, União Brasil e Podemos — resistem a embarcar na candidatura bolsonarista. Do outro lado da disputa, Lula opera com mais conforto institucional: além de ter a máquina do governo na mão e o PT, já consolidou em torno de si o apoio do PV, PCdoB, PSOL, Rede e PSB.

