Carta Política #465

“(…) é mais uma vítima dessa militância que existe no Judiciário, esse ativismo judicial, que é muito lamentável”. (Flavio Bolsonaro, sobre Romeu Zema)

É sabido que, apesar dos escândalos que cercam os ministros do Supremo Tribunal Federal há bastante tempo, o sistema político hesita em atacá-los publicamente. Nem mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro era capaz de escalar a retórica contra os magistrados por períodos prolongados; afinal, a Corte detém o poder de dificultar consideravelmente a vida daqueles que a confrontam.

        Portanto, embora a restrição aos poderes do Supremo seja um tópico central da campanha, os ataques diretos são raros. O governo evita o embate porque governa com o apoio tácito do Judiciário, dado que, neste mandato, não foi capaz de construir uma coalizão funcional no Congresso. A oposição, na figura de Flávio Bolsonaro, recua tanto pelo potencial de retaliação contra sua candidatura quanto pelo fato de o líder do grupo, Jair Bolsonaro, seguir em prisão domiciliar e sujeito às decisões do Tribunal. Ronaldo Caiado, que também se posiciona como presidenciável, tem poupado os ministros de críticas contundentes até o momento.

        Quem tem se posicionado de maneira mais explícita nesta semana é o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que renunciou recentemente ao cargo. O político mineiro tem publicado críticas e sátiras contra os ministros. O movimento provocou reação imediata, sobretudo do ministro Gilmar Mendes, que chegou a pedir a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News e concedeu entrevistas a diversos veículos de mídia.

A briga pública, no entanto, não deve render simpatia aos ministros. Romeu Zema já forçou Gilmar Mendes a se retratar quanto a algumas afirmações ofensivas que fez. Dessa forma, Zema pode estar se posicionando como o sucessor do movimento antissistema, ocupando um espaço que, até agora, nenhum outro nome da oposição ousou preencher.

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