Carta Política #468

“Conversei com ela, ela me disse que queria sair da presidência do partido. Não tenho o que fazer. E (disse) que talvez não fosse candidata a senadora”. (Valdemar da Costa Neto, presidente do PL)

         O racha instaurado entre Michelle e Flávio Bolsonaro na semana passada persiste. A ex-primeira-dama decidiu se afastar da liderança do PL Mulher e não dá sinais de que pretenda se engajar na campanha presidencial do enteado.

         O movimento gera forte preocupação na campanha: o afastamento de Michelle pode enfraquecer o apoio do eleitorado evangélico, um dos principais pilares do bolsonarismo, e afastar ainda mais o voto feminino, historicamente uma das maiores vulnerabilidades do senador.

         Por enquanto, esse distanciamento familiar não se refletiu nas pesquisas. O desempenho frágil de Flávio segue majoritariamente atribuído aos seus próprios problemas políticos, como as conexões com Daniel Vorcaro. Na prática, é improvável que um eleitor convicto do senador migre para Lula devido à ausência de Michelle; contudo, o cenário abre flanco para que uma candidatura alternativa de centro-direita capture esse voto órfão.

         Embora essa terceira via ainda não pontue com destaque, analistas ponderam que a mobilização do eleitorado tende a ocorrer mais à frente, sobretudo após o término da Copa do Mundo.

         Paralelamente, o desgaste de Flávio não tem se traduzido em ganho automático para o petismo. Levantamentos estaduais indicam que o capital eleitoral do PT — que em 2022 já havia registrado um de seus desempenhos mais enxutos em bases regionais — segue em declínio. É justamente essa estagnação mútua dos líderes da disputa que mantém vivas as especulações de bastidor sobre uma eventual e drástica reformulação na candidatura de oposição.

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