“Os filhos têm acesso ao pai meia hora por dia. Michelle está com ele 24 horas. Com esse clima, como os filhos vão visitar o pai agora? E como ele vai se posicionar nesse conflito nessas circunstâncias, com o grau de dependência que ele tem dela nesse momento? Eu não sei”. (um dos caciques do PL, em citação ao Valor)
Apesar de dividir as atenções com a Copa do Mundo, a proximidade das eleições – afinal, estamos a menos de 100 dias do primeiro turno — segue movimentando o cenário político.
No campo governista, o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi forçado a renunciar à liderança do governo no Senado. Após certa resistência, a saída ocorreu diante das suspeitas de seu envolvimento com o escândalo do Banco Master. Trata-se de mais um episódio constrangedor para o Planalto, que conta com a histórica força eleitoral do partido na Bahia para impulsionar a reeleição de Lula, e que agora também pode ver complicada a campanha do governador baiano, Jerônimo Rodrigues.
Já na oposição bolsonarista, Michelle Bolsonaro veio a público acusar o enteado, Flávio, de desrespeito e desprestígio devido a disputas por lideranças políticas no Ceará. O episódio expôs um racha na família e levantou suspeitas de que o próprio ex-presidente, Jair Bolsonaro, tenha autorizado a esposa a “fritar” o filho. Para contornar a crise, Flávio pediu desculpas à madrasta e a convidou para participar, na próxima semana, de um evento com mulheres conservadoras organizado por ele.
O quadro geral para a candidatura bolsonarista é francamente negativo. Considerando os indícios de ligação do próprio Flávio com o escândalo do Master, as pesquisas recentes já capturam um impacto: os números indicam a abertura de uma vantagem de cerca de quatro pontos percentuais em favor da reeleição de Lula. Será que o ex-presidente estaria preocupado com a viabilidade eleitoral do filho, e estaria buscando viabilizar uma alternativa antes das convenções partidárias?

