“Tivemos uma ótima reunião com o presidente do Brasil. Estamos fazendo muito comércio e vamos aumentar ainda mais esse comércio. Falamos sobre tarifas. Falamos também que, sabe, eles gostariam de algum alívio nas tarifas. Mas tivemos uma reunião muito boa”. (Donald Trump)
Nesta semana, ocorreu o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump. O mandatário brasileiro viajou à Casa Branca acompanhado de uma comitiva que incluiu o chanceler Mauro Vieira, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Pelo lado americano, Trump esteve ladeado por seu vice-presidente, JD Vance, e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.
A visita foi pautada pelo baixo perfil e por uma cautela extrema. O Palácio do Planalto buscou evitar a perda de controle sobre a agenda, visando prevenir polêmicas como as registradas em encontros anteriores com os líderes da Ucrânia e da África do Sul. A relação com os Estados Unidos é vista como um ponto de vulnerabilidade para a estratégia de reeleição de Lula: se, por um lado, um eventual embate diplomático ou comercial poderia ser utilizado para inflar o discurso de soberania nacional, por outro, o desgaste com a maior potência mundial seria um flanco aberto para exploração da oposição.
Temas sensíveis para a diplomacia brasileira, como as relações com o Irã e Cuba, ou a intenção de Washington de designar as facções PCC e CV como organizações terroristas, foram omitidos das conversas públicas. Ao final, para mitigar riscos, os governos limitaram-se a divulgar registros fotográficos e notas protocolares. A tradicional coletiva de imprensa foi cancelada, e os comunicados oficiais indicaram a ausência de acordos substantivos. Para o governo brasileiro, o saldo foi considerado positivo, uma vez que o objetivo central era o isolamento de danos.

