Carta Política #462

“Eu tenho muito medo que as brigas de Brasília venham atrapalhar o Paraná. Nós conseguimos proteger o Estado durante sete anos dessa briga que acontece em Brasília e que traz muito prejuízo para o Brasil”. (Ratinho Júnior, sobre sua desistência)

       Em decisão surpreendente, Ratinho Júnior, atual governador do Paraná, anunciou sua desistência da corrida presidencial, alegando motivos pessoais.

       Há quem especule que o governador pretenda evitar o escrutínio sobre seus negócios familiares; entretanto, tal tese carece de lógica, visto que a exposição inerente ao cargo que ocupa já atrai vigilância rigorosa. É mais provável que o anúncio vise consolidar condições favoráveis para eleger seu sucessor. Com o retorno de Sergio Moro à base bolsonarista e sua decisão de disputar o Palácio Iguaçu, Ratinho Júnior teria avaliado que uma renúncia antecipada reduziria sua capacidade de influência no pleito estadual.

       Dessa maneira, abre-se espaço para outros nomes no PSD, que já conta com dois postulantes: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Embora o goiano acumule experiência em diversas eleições majoritárias, parte de um estado com menor peso demográfico. Já o gaúcho enfrenta desafios significativos para uma projeção nacional. No momento, nenhum dos dois detém a mesma expressão eleitoral que o paranaense vinha angariando.

       A notícia foi recebida com entusiasmo pela campanha de Flavio Bolsonaro. Caiado ostenta bons índices na segurança pública e possui um perfil mais incisivo; assim, sua candidatura poderia adotar um tom mais crítico ao governo do que a de Ratinho Júnior. Em uma eventual composição de segundo turno, contudo, Flavio preferiria ter um aliado mais moderado a seu lado.

       O filho do ex-presidente atravessa um período positivo de consolidação política. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar, ainda que temporária, a Jair Bolsonaro. Somado a isso, o governo federal enfrenta dificuldades de popularidade e lida com o desgaste de novos escândalos que voltam a envolver Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente.

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