Carta Política #461

“Se a gente não cuidar, eles vão tentar dizer que somos nós [os culpados]”. (Lula, sobre o caso Master)

          As eleições deste ano prometem ocorrer em um ambiente de bastante volatilidade.

          Primeiramente, temos o caso Master. A tese de acobertamento do escândalo foi superada. Entre o avanço das investigações, a posição rígida do Supremo Tribunal Federal e o volume de provas já em posse da Polícia Federal, não restava saída jurídica viável a Daniel Vorcaro, que decidiu, então, seguir pelo caminho da delação premiada.

          De acordo com as notícias, o material que já veio a público representa apenas 30% do conteúdo de um dos aparelhos celulares; Vorcaro possuía outros oito dispositivos. Interlocutores afirmam que o ex-banqueiro acumulou registros detalhados de todos os seus relacionamentos. Diante disso, a investigação ainda poderia avançar significativamente, com ou sem delação. O acordo, neste contexto, surge como uma tentativa de redução de danos.

          A oposição está se movimentando. Nesta semana, Flávio Bolsonaro reconciliou-se com Sergio Moro, que disputará o governo do Paraná pelo PL. O filho do ex-presidente pretende, desta forma, aproximar-se do lavajatismo em meio a mais um escândalo de corrupção. O fato de o caso Master ter implicado ministros do Supremo também descredibiliza a tese de “defesa da democracia”, amplamente utilizada pelo PT para minar a candidatura de Bolsonaro.

          Além do escândalo Master, o governo precisa lidar, simultaneamente, com a crise decorrente dos conflitos no Oriente Médio. Para além das medidas fiscais anunciadas para amortecer a escalada de preços na ponta, não há muito que a gestão possa fazer. O preço do câmbio voltou a subir, afastando-se dos patamares mínimos do ano e prejudicando o bem-estar econômico, fator que poderia facilitar a tentativa de reeleição.

         Neste contexto, apesar das dificuldades da candidatura de Flávio Bolsonaro, a eleição presidencial parece ser bastante competitiva.

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