“O Tofollão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. Na semana posterior ao carnaval, a CPI do Crime Organizado votará os requerimentos de quebra de sigilo e convocações dos envolvidos. O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei”. (Senador Alessandro Vieira, MDB-SE)
À época das eleições de 2022, imaginava-se que o governo lidaria com a falta de maioria no Congresso Nacional por meio de um alinhamento estratégico com o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa tese mostrou-se funcional em episódios pontuais, como na manutenção parcial da majoração do IOF. No entanto, esse modelo de governabilidade apresenta sinais claros de exaustão neste início de 2026.
As controvérsias recentes envolvendo a Corte tornaram o tribunal mais vulnerável e menos eficaz no suporte às pautas do Palácio do Planalto. Se os ministros já enfrentavam críticas por percepções de parcialidade, as revelações sobre supostos elos entre alguns investigados e familiares de magistrados – notadamente, no caso do Banco Master – elevaram drasticamente o custo político desse apoio. Em especial, a condução deste inquérito de uma maneira absolutamente atípica gerou uma crise institucional que culminou, ontem, no afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso, após pressões internas e relatórios da Polícia Federal.
O governo Lula também se vê sob os holofotes devido a encontros realizados no fim de 2024 com o banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, o que torna a defesa do STF politicamente tóxica em um ano eleitoral. A redistribuição da relatoria para o ministro André Mendonça, por sorteio, marca uma mudança de dinâmica. A capacidade do Planalto de influenciar a Corte parece minguar: o governo hoje enfrenta dificuldades até para preencher a vaga aberta pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. No caso de um eventual impeachment de Dias Toffoli – possibilidade que parece cada vez mais concreta – é difícil imaginar que possuiria capital político para fazer seu sucessor.

