Carta Política #331

“Eu vi no sertão de Alagoas mulheres e homens cozinhando com lenha devido ao preço excessivo do gás. Também testemunhei em palestras na Faria Lima a defesa da atual política de preços da Petrobras. Esse é o Brasil continental, diverso, mas que precisamos encontrar convergências e soluções que atendam a todos”.

(Arthur Lira, em discurso de posse)

 

                  Na semana, tivemos a posse da nova Legislatura. Os senadores se reuniram e reelegeram a Rodrigo Pacheco como presidente da Casa Alta, por margem relativamente pequena, com 49 votos totais. Ficou evidente que a oposição bolsonarista tem capacidade de organização e articulação – houve campanha organizada nas redes sociais, impulsionada por falas do ex-presidente e da ex-primeira-dama – mas ainda assim não houve apoio suficiente para que se sustentasse a vitória de Rogério Marinho.

                Na Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira for reeleito com 464 votos – um recorde histórico que denota a ausência total de adversários viáveis. A liderança do presidente da Casa Baixa é absolutamente inconteste, e Lira se consolida como um árbitro político fundamental para esse mandato.

                Importa também o que não aconteceu: o governo não tentou enfrentar o establishment, fortalecendo candidaturas de seu campo político. Com os presidentes das casas não exatamente aliados, mas também não explicitamente hostis, a chance de crises políticas sérias fica diminuída. O fato do candidato bolsonarista não ter levado o Senado também diminui muito as chances de conflitos com o Judiciário.

                 Desta forma, quem irá receber as propostas de reformas do governo federal será um Congresso de boa-vontade, mas também bastante independente, e menos afeito aos ruídos do mandato anterior. Propostas excessivamente ousadas e heterodoxas deverão ter dificuldade de tramitação, com os parlamentares bastante divididos.

Posts Relacionados