Carta Política #289

“A disputa será no segundo turno”.

(Emídio de Souza, deputado estadual do PT-SP, abandonando as esperanças de uma vitória prematura)

 

            A vantagem do ex-presidente Lula em relação ao presidente Bolsonaro vem diminuindo nas últimas semanas, segundo as pesquisas. No começo do ano, a diferença era de 14 pontos. Esses números estreitaram primeiramente para 11 pontos, posteriormente para 9 pontos, e agora, no início de março, estão em 8 pontos.

            Desde o início deste ano, já era visível uma tendência de melhora nos índices de aprovação do Presidente, estancada após a viagem à Rússia e as declarações de apoio de Bolsonaro a Putin. Para Lula, talvez esteja pesando o desgaste de sua liderança inconteste até agora, o que o torna alvo de ataques de todos os lados.

            O clima de oba-oba entre os petistas já está encerrado. A história da federação com o PSB parece abandonada, e o fato de o PT estar desistindo de sua candidatura na Bahia podem ser evidências de um certo realismo diante das dificuldades que será vencer o pleito mais para o fim deste ano.

            Bolsonaro tem a seu favor o tempo. Caso o ano se prove mais favorável economicamente, consiga se afastar de grandes polêmicas e capitalizar o generoso orçamento deste ano, poderá surfar uma eventual onda de boa vontade.

            Já Lula precisa trabalhar em algumas frentes para consolidar a sua liderança. Precisa se provar capaz de dominar a esquerda, não deixando florescer eventuais lideranças alternativas que dividam o voto progressista; e se provar capaz de enfrentar o inevitável desgaste que se seguirá com a campanha, conforme se reavivem os múltiplos escândalos da era petista.

            A terceira via segue representada, em sua via mais forte, por um Sérgio Moro que teima em avançar além dos 10% nas intenções de votos. O ex-juiz precisa contar com um pouco de sorte: um derretimento dramático de Bolsonaro ou uma divisão de votos entre muitos candidatos pela esquerda.

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