Carta Política #478

“O fato de candidatos da extrema direita ao Legislativo terem superado todas as expectativas sugere uma base popular mais profunda para o projeto bolsonarista do que muitos imaginavam.”. (André Pagliarini, professor da Lousiana State University)

       Na última semana, tivemos o primeiro turno das eleições.

       De longe, o maior vencedor foi o Partido Liberal (PL), que representa o bolsonarismo. O partido ganhou 24 cadeiras em relação à composição atual e terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares — a maior de um partido na Casa desde 1986. A direita terá 276 cadeiras, o que já constitui uma maioria; somada aos 113 deputados de centro, representará 75% da Câmara.

       No Senado, a vitória foi ainda mais expressiva, e o PL contará com 28 cadeiras, enquanto a esquerda terá apenas 15 senadores, o equivalente a 19% da Casa. Com essa composição, o Congresso terá maior capacidade de promover grandes reformas, inclusive constitucionais, desde que consiga reunir os votos necessários.

       Nos estados, as eleições foram marcadas pelo grande número de definições em primeiro turno. Os partidos evitaram investir em candidaturas pouco competitivas, buscando priorizar as disputas para o Congresso. Ao todo, 21 estados tiveram seus governadores eleitos no primeiro turno, com um forte resultado para o PL, que venceu em seis estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. Os aliados do bolsonarismo também tiveram, em geral, um bom desempenho: Tarcísio e Cleitinho foram eleitos em primeiro turno em seus respectivos estados.

       Por fim, na disputa presidencial, Flávio teve um desempenho melhor do que o esperado, capturou grande parte do voto útil já no primeiro turno e encerrou a votação dois pontos percentuais à frente de Lula. O presidente teve um desempenho inferior ao de 2022 em quase todo o país, perdendo principalmente entre a classe média que vive nas periferias das grandes cidades. Temos mais duas semanas até o segundo turno, mas o favoritismo hoje, certamente, é de Flávio.

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