Carta Política #459

“Eu, com toda sinceridade, tenho confiança e vou argumentar [com Mendonça] nesse sentido, de que ele precisa comparecer à CPMI em respeito ao nosso trabalho, em respeito à população brasileira”. (Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS)

        A tese de acobertamento dos escândalos envolvendo o Banco Master começou a perder sustentação nesta semana. A CPMI instalada para investigar irregularidades no INSS recebeu quase 30 gigabytes de dados, cujo conteúdo passou a ser vazado para a imprensa após determinação do ministro André Mendonça, do STF.

        Daniel Vorcaro encontra-se novamente detido, tendo sido transferido para um presídio federal. Um de seus associados, conhecido como “Sicário”, morreu em circunstâncias suspeitas em Minas Gerais, com indícios de suicídio. Mensagens de WhatsApp extraídas dos aparelhos de Vorcaro colocam sob suspeita a credibilidade do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e de Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP).

        Diante da publicidade do contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, o material apreendido sugere a existência de possível tráfico de influência entre o magistrado e o banqueiro. Em determinados trechos, Vorcaro parece ameaçar desafetos com a inclusão no Inquérito das Fake News, o processo de rito atípico conduzido pelo ministro.

        Somando-se ao desgaste de dois integrantes da Suprema Corte, o governo não obteve êxito em reverter a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva. O filho do presidente da República deverá prestar esclarecimentos sobre uma série de movimentações financeiras atípicas.

        Nesse contexto, o ambiente político permanece conturbado e com baixa previsibilidade, o que dificulta a tramitação de matérias complexas no Congresso, a exemplo da proposta de extinção da escala de trabalho 6×1.

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