Carta Política #458

“Nós somos adultos e vamos conversar. Vou procurar todo mundo, como sempre fiz, porque a gente tem um objetivo maior e todos estão incluídos e na mesma página”. (Flavio Bolsonaro)

      A popularidade do presidente Lula segue em trajetória de queda, desafiando a tradicional lógica eleitoral. Com a inflação sob controle e o desemprego em patamares baixos, o voto econômico, em tese, deveria beneficiar o governante incumbente. No entanto, novos fatos continuam a ameaçar o favoritismo do presidente à reeleição, mesmo diante de um adversário politicamente frágil.

      Os fatores apontados como prejudiciais à imagem de Lula são múltiplos: o controverso desfile de Carnaval, a suposta ligação do governo com o STF em meio ao escândalo do Banco Master, os novos desdobramentos da CPMI do INSS e a nova polêmica em torno dos supersalários nos altos escalões do funcionalismo público, entre outros. Nenhum desses elementos, contudo, parece capaz de explicar integralmente o cenário atual.

      As pesquisas mais recentes já indicam um empate técnico, tanto no primeiro quanto no segundo turno, entre Flávio Bolsonaro e Lula. Flávio teve pouca exposição na mídia, conduz uma campanha carente de fatos novos e ainda não apresentou indicações relevantes para sua equipe. Seu anúncio de maior impacto foi o aceno ao fim da reeleição, uma proposta que valeria inclusive para um eventual mandato seu, o que suaviza a resistência à sua candidatura por parte da oposição nacional. A medida abre caminho, inclusive, para uma possível sucessão por Tarcísio de Freitas após o governo de São Paulo.

      Tudo isso sugere que a ascensão da candidatura de Flávio, mesmo em uma campanha inconsistente, denota mais a “bolsonarização” do filho, que canaliza o sentimento antilulista, do que propriamente um vigor político próprio.

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