“Em nada influencia o fato de a escola ter sido rebaixada. O cenário do impacto eleitoral não diminui com o insucesso, mas seria ainda mais amplo se ganhasse, em razão de uma maior divulgação”. (Thiago Boverio, advogado eleitoral, sobre potenciais impactos no TSE)
O ambiente político já estava bastante polarizado em torno dos desdobramentos do caso Banco Master. Ainda assim, o Planalto considerou oportuno prestigiar o desfile de uma das escolas de samba no Rio de Janeiro neste Carnaval, que decidiu homenagear em samba e verso o próprio presidente da República, em pleno ano eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou a censura prévia e autorizou o desfile, mas alertou que os envolvidos poderiam enfrentar problemas futuros, a depender do conteúdo exibido. Encerrado o evento, sobram motivos para controvérsia, dadas as inúmeras menções ao PT, ao número 13 e aos programas sociais dos governos petistas. Não faltaram, também, referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ocorre que o desfile entregou à oposição, de maneira completamente gratuita, a bandeira da “defesa da família” ao apresentar uma crítica explícita a conceitos associados ao conservadorismo; o governo, como se sabe, não possui um histórico de boas relações com o eleitorado mais tradicional.
Ao fim, a agremiação acabou rebaixada, e o presidente acumulou mais um revés para administrar na campanha, o qual certamente será explorado por seus opositores. A trajetória negativa da popularidade de Lula manteve-se firme no pós-Carnaval, com o presidente retomando os níveis de outubro passado, aproximando-se dos patamares mais altos de rejeição deste mandato.

